Liberdade para baixar, liberdade para transformar [versão vídeos]
Deve existir algum tipo de lista tarefas e serviços que mais geram buscas nas mãos de pessoas que tentam usar a internet atualmente para realizar tarefas criativas. Imagino que ela deve ser algo parecido com:
- Como gerar gerar imagem de IA rápido — o prazo tá curto e o chefe tá em cima!
- Como baixar e editar vídeos do YouTube (e outros sites)
- Modelos diferentões para o Canva
- Como retirar fundo de fotos e marca d'água
Eu não me interesso muito por algumas dessas tarefas, mas o item 2 é algo que me pedem frequentemente.
Ao mesmo tempo em que eu utilizo (e recomendo!) as ferramentas yt-dlp para fazer o download de mídias de uma infinidade de sites diferentes, e ffmpeg para manipular qualquer tipo de formato de vídeo, também concordo que a interface delas não são muito amigáveis. Elas foram criadas para serem utilizadas a partir da linha de comando, e o terminal pode ser um pouco assustador, ou simplesmente o usuário final não está com tempo pra aprender a usá-lo.

O usuário pode querer fazer o download de mídias de sites por uma infinidade de motivos, que vão desde montar uma biblioteca local de músicas e clipes para uma viagem que ficará sem internet — e, portanto, sem a opção de utilizar serviços de streaming — até o interesse em compartilhar algum tipo de conteúdo em grupos de Whatsapp e Telegram.
Seja lá o motivo que for, o usuário fará tudo que for necessário e estiver ao seu alcance para satisfazer esta necessidade a partir do momento que ela surgir. Isso inclui utilizar serviços e aplicativos potencialmente perigosos e intrusivos. No fim das contas este post é uma tentativa de criar um serviço de redução de danos.
De lá para cá
O serviço que eu tenho recomendado atualmente para download de vídeos é o cobalt. Com uma interface minimalista — mas configurações poderosas — é difícil errar o processo de descarregar uma mídia para a máquina do usuário.
O processo é tão simples e direto que quase não tem o que ser dito a respeito dele: basta colar a URL da página que contém o vídeo e, sendo de um site ou rede social válido, o download deve começar em alguns instantes. É só isso. Sem criação de contas, sem propagandas intrusivas e sem dor de cabeça.
Ao gosto do freguês
Um dos motivos para fazer download desses conteúdos é o desejo de editá-lo: cortar e manter somente os pedaços que interessam, emendar junto a outros vídeos e fazer uma sequência, extrair frames para ilustrar um projeto ou converter para um formato específico — converter um filme em .mkv para .mp4 e fazê-lo ser aceito na TV, por exemplo.
Não há uma alternativa melhor do que o ffmpeg nesse momento: se você não está usando ele diretamente, provavelmente está utilizando uma ferramenta criada a partir dele, como o HandBrake ou o Kdenlive. Não deixe de conferir esses dois, apesar de tudo.
A interface do ffmpeg, entretanto, como mencionei, não é das mais amigáveis. Quem o conhece sabe o quanto é poderoso e flexível, mas essa flexibilidade tem um custo alto: a sua linguagem é, sem medo de exagerar, terrível, e depende de passos como definir variáveis de ambiente e consultar a documentação oficial para tentar montar o quebra cabeças necessário para fazê-lo funcionar.
Pois recentemente encontrei o projeto ffmpeg-online (código fonte disponível em xiguaxigua/ffmpeg-online) que elimina metade do problema: agora o ffmpeg pode ser executado diretamente no navegador!
Basta escolher o arquivo (clicando no botão ou arrastando para o lugar correto), definir os parâmetros que definem como o arquivo será manipulado e definir o nome do arquivo de saída.
Por exemplo, para cortar um vídeo grande e transformá-lo em um vídeo menor, o seguinte comando é utilizado no programa original:
ffmpeg -i VIDEO_ORIGINAL.mp4 -ss 00:00:00 -t 00:00:05 -vcodec copy -acodec copy VIDEO_FINAL.mp4
No site, por outro lado, as caixinhas de opções ficam configuradas na seguinte ordem
ffmpeg
-i
{VIDEO_ORIGINAL.mp4} \\ preenchido automaticamente depois de selecionar o arquivo
-ss 00:00:00 -t 00:00:05 -vcodec copy -acodec copy
VIDEO_FINAL.mp4
Neste caso, os números após os valores -ss e -t correspondem, respectivamente, ao início e o fim, no arquivo original, que deverão ser extraídos para gerar o novo vídeo.
Outro exemplo útil é a conversão de um vídeo .mkv em um arquivo de áudio. A gente pode fazer assim:
ffmpeg
-i
{VIDEO_ORIGINAL.mkv}
-vn -acodec libmp3lame -ab 192k -ar 44100
AUDIO_FINAL.mp3
Após dizer que está utilizando o ffmpeg, o ChatGPT e outros modelos são úteis para descobrir qual o comando certo — pelo menos para tarefas mais simples.